domingo, 26 de junho de 2016
Avaliação
Ter cursado a disciplina de Saúde Coletiva, ministrada pela professora Roberta Reis, foi bastante interessante e enriquecedor.
Sem dúvidas, foi um privilégio ter a oportunidade de adquirir um contato com a saúde pública logo no início do curso de Fonoaudiologia. Através das atividades solicitadas e, principalmente, da visita realizada à UBS, pude ter uma noção mais concreta e clara de como funciona e dos programas que compõem o ambiente de saúde que pretendo me incluir.
As aulas da disciplina contribuíram imensamente para o meu crescimento, tanto pessoal quanto profissional, e sou extremamente grata por isso.
O formato das aulas também sempre me interessou. A liberdade para o debate e para a exposição de opiniões pessoais é uma grande virtude que a cadeira oferece, aproximando professor-aluno e proporcionado uma troca de conhecimentos e aprendizados inestimável.
Saio desse primeiro semestre realizada, com bastante bagagem e aprendizados novos. E o mais importante, com a certeza de que estou no caminho certo, me dedicando ao máximo para ser a melhor profissional possível.
Gostaria de deixar registrado aqui o meu muito obrigada à Roberta e à disciplina de Saúde Coletiva.
#Fonoésóamor #Gratidão
História da Saúde Pública no Brasil e no Mundo
Através do trabalho, percebi que o SUS (Sistema Único de Saúde), o programa de saúde brasileiro, é extremamente qualificado, e melhor do que muitos outros sistemas, inclusive de países desenvolvidos.
A saúde pública brasileira baseou-se em países como Canadá e Cuba para desenvolver seu próprio sistema, o SUS, que tem como princípios básicos a integralidade, a equidade e a universalidade.
O Brasil possui um sistema de saúde pública excelente, que sofre com algumas mazelas, assim como qualquer outro, mas que ao mesmo tempo é imensamente completo e eficaz. Cabe a população brasileira usufruir de todos os benefícios que o SUS dispõe e lutar, sempre, para que esse direito jamais seja perdido.
Graças ao SUS, milhares de brasileiros são atendidos e tratados diariamente. O Sistema Único de Saúde vem, há quase 26 anos, proporcionando bem-estar e qualidade de vida a todos os brasileiros, e o mais importante, de forma totalmente gratuita.
Desenvolvimento de uma Política Pública
A questão dos leitos hospitalares
O problema principal daquela
cidade é a falta de assistência na hora da doença. O único hospital que existe,
o Santa Lúcia, é do grupo de médicos e, como eles acham que o SUS paga pouco,
destinam apenas vinte dos seus oitenta leitos para os pacientes do SUS. Com
isso, a população sofre e o prefeito tem que mandar, a toda hora, os doentes
para serem atendidos em outro município vizinho.
Esse assunto já foi discutido no Conselho e já houve uma proposta de
aumentar os leitos credenciados para o SUS no Hospital Santa Lúcia para atender
melhor os moradores. No entanto, os proprietários não aceitaram essa ampliação
de vagas para o SUS. Um Conselheiro propôs então o descredenciamento total do hospital, o que também não foi aceito pelos
donos, pois alegaram que, dessa forma, o hospital iria à falência, pois quem
sustentava o “básico” era o SUS. Por outro lado, o secretario de Saúde, bem
como o prefeito, apoiam os médicos proprietários do hospital e concordam que o
SUS paga pouco. Para eles, é um certo incômodo ter que mandar a ambulância
levar os doentes para a outra cidade todos os dias. Apesar disso, ainda acham a
melhor solução.
Para a população, é sofrimento e risco. Há histórias de crianças
nascendo no meio do caminho, doentes que não aguentam a distância da viagem e
morrem antes de chegarem ao socorro, o mesmo acontecendo com os acidentados.
Retirado do Caderno de Atividades do Curso de Capacitação de
Conselheiros Estaduais e Municipais de Saúde, Brasília/DF, 2002.
Política Pública
Eu, como ministra da saúde, requisitaria um maior auxílio financeiro por parte do governo federal, para que mais leitos fossem construídos no hospital Santa Lúcia, disponibilizando assim, um número maior de instalações destinadas ao SUS.
Trabalho SUS
Selecionei essas três imagens pois acredito que elas representam
perfeitamente o real significado do Sistema Único de Saúde brasileiro. A
primeira imagem é a logomarca do SUS. A segunda representa a união dos diversos
profissionais que atuam no SUS juntamente com a população que é beneficiada por
ele, sendo esses os responsáveis pela existência do sistema. Na terceira figura
temos o exemplo de um grupo multidisciplinar – composto por profissionais de
diversas áreas da saúde – que trabalha em conjunto em prol de um objetivo
comum, garantir a saúde e o bem-estar à população brasileira.
1) Potencialidades do SUS:
- Acesso universal.
- Grupos multidisciplinares
de atendimento e tratamento.
- Distribuição gratuita de
medicamentos.
2) Fragilidades do SUS:
- Demora no atendimento.
- Infraestrutura precária.
- Falta de profissionais.
3) A palavra que define o SUS é
COLETIVIDADE.
SUSCity - São Bento
A professora Roberta Reis propôs logo no inicio do semestre que desenvolvêssemos uma tarefa bastante divertida e interessante: a criação da nossa própria SUSCity.
O SUSCity foi um jogo desenvolvido pelas farmacêuticas Denise Bueno e Célia Chaves, que tem por objetivo gerar uma reflexão nos alunos a respeito da cultura saúde/doença e das políticas públicas que a envolvem.
A partir disso, criei minha cidade:
São Bento
A cidade de São Bento é um
município localizado no leste do estado do Rio Grande do Sul. Com
aproximadamente 100 mil habitantes é uma cidade bastante charmosa e acolhedora.
Composta por uma universidade, um hospital e duas escolas, a cidade supre com
excelência as necessidades de sua população.
O município, fundado em 1829, foi colonizado por franceses, denotando-se daí a forte influência cultural gálica presente em São Bento, cidade localizada no sul brasileiro. O idioma colonizador também permaneceu, tornando a cidade bilíngue.
São Bento é referência nacional em saúde e educação, pois sedia uma das melhores universidades do país e tem em seu território um grande hospital, com infraestrutura de qualidade e uma grande gama de profissionais extremamente qualificados e dedicados.
Os índices da cidade também
são bastante bons. A taxa de desemprego é baixa, bem como a de mortalidade. As
avaliações do MEC são imensamente satisfatórias e o IDH possui um alto
conceito. São Bento é sinônimo de qualidade de vida e um grande exemplo para as
demais cidades do país!
Equidade
Que a vida como um todo seja baseada na Equidade! Um dos mais lindos princípios existentes, que é também uma das 3 vertentes que compõem o SUS, nosso Sistema Único de Saúde, tão precioso e ao mesmo tempo tão desvalorizado.
Acredito que a aula em que falamos sobre equidade, na cadeira de Saúde Coletiva, ministrada pela Professora Roberta Reis, tenha sido uma das melhores do semestre. A aplicação daquilo que é justo e possível de ser realizado é imprescindível.
Devemos exercitar mais a equidade, em qualquer âmbito que seja. Promover a equidade, mais do que fazer um imenso bem ao próximo, é fazer um bem inigualável a si mesmo.
Difundir e defender a equidade, a igualdade sem premissas, é uma espécie de alimento riquíssimo e indispensável para a alma.
Devemos exercitar mais a equidade, em qualquer âmbito que seja. Promover a equidade, mais do que fazer um imenso bem ao próximo, é fazer um bem inigualável a si mesmo.
Difundir e defender a equidade, a igualdade sem premissas, é uma espécie de alimento riquíssimo e indispensável para a alma.
O SUS
Tamanha sua grandeza,
Integral é seu propósito,
Do tamanho do Brasil,
Que o conduz.
Grande, forte, cheio de vida!
Muita história prá contar...
Quem conhece, apaixona.
Casa , vive, chora e
morre de amor.
Equidade, para quem necessita de clamor!
Mais valorização para
o profissional, que entende seu valor
Para mais forte caminhar
E crescer como um furor.
Cada canto é um conto, cada conto um doador
Cada vida uma labuta
Cada labuta, um lutador.
Luta idoso, luta mulher,
Luta criança e luta doutor.
Luta mais quem na ponta confronta
As histórias de triste dor...
Luta enfermeiro, luta dentista,
Luta trabalhador.
De visita em visita, luta ACS!
Para o Brasil
crescer sem dor
Para o cidadão ter mais amor
Para a saúde ter mais valor!
Visita ao Centro de Saúde Modelo
Bom, eu moro em São Leopoldo, município da região metropolitana de Porto Alegre, e minha UBS de referência é a UBS Trensurb. No entanto, devido a intensa carga horária que a graduação em Fonoaudiologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul possui, não consegui adequar um horário para visitar a minha unidade. Porém, conheço a UBS Trensurb e já realizei procedimentos no local. Apesar de ser uma UBS bastante pequena, fui muito bem recebida e rapidamente atendida na ocasião.
Perante a isso, decidi visitar juntamente com algumas colegas, o Centro de Saúde Modelo, devido a sua proximidade da universidade e a sua referência e qualidade em atendimento. O Modelo é localizado na Avenida Jerônimo de Ornelas, número 55, no Bairro Santana, Porto Alegre, e pertence a região Centro.
Ao contrário do que pensava, o Centro de Saúde Modelo não é apenas uma UBS e sim, um Centro de Saúde, pois além de ser uma UBS (Unidade Básica de Saúde), ele engloba também a ESF (Estratégia de Saúde da Família). A principal diferença entre os dois serviços é a presença dos agentes comunitários na ESF, que realizam visitas periódicas às famílias atendidas pelo centro. Além disso, a ESF não possui especialidades médicas, apenas um médico clínico geral de família, ao contrário da UBS, que oferece ginecologista, pediatra e clínico geral ao seus pacientes, bem como outros especialistas, tais como, nutricionistas, psicólogos e psiquiatras.
O Modelo, para a minha surpresa e felicidade, possui uma infraestruta gigantesca, com farmácia distrital própria, podendo atender portanto, milhares de porto-alegrenses. Tamanha estrutura ainda apresenta terapias alternativas, graças ao programa de Práticas Integrativas de Saúde, que incluem acupuntura, homeopatia, juntamente com uma farmácia homeopática, e a incrível, fitoterapia, com os lindos canteiros que abrilhantam o local.
A equipe é basicamente composta por enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e médicos especialistas, dentre eles, ginecologistas, pediatras e psiquiatras.
No centro, além das especialidades mencionadas, são oferecidos também, atendimento odontológico, realizado por dentistas, auxiliares e técnicos odontológicos, acolhimento dos pacientes, vacinação, tratamento para a tuberculose, testes rápidos de DST's: HIV, sífilis, hepatite B e C e teste de gravidez.
Além disso, grupos importantíssimos são desenvolvidos no local, que visam a promoção de bem-estar e qualidade da vida da população, sendo muitos deles abertos à comunidade em geral. Os grupos oferecidos são: para idosos, gestantes, para os pacientes acometidos por dores crônicas e problemas de coluna, para tabagistas, doentes mentais, alcoólicos anônimos, e ainda, grupos instrutivos sobre amamentação e alimentação saudável; todos ministrados por profissionais das respectivas áreas. É importante ressaltar que a farmácia e a vacinação são abertas à toda a comunidade.
Além disso, grupos importantíssimos são desenvolvidos no local, que visam a promoção de bem-estar e qualidade da vida da população, sendo muitos deles abertos à comunidade em geral. Os grupos oferecidos são: para idosos, gestantes, para os pacientes acometidos por dores crônicas e problemas de coluna, para tabagistas, doentes mentais, alcoólicos anônimos, e ainda, grupos instrutivos sobre amamentação e alimentação saudável; todos ministrados por profissionais das respectivas áreas. É importante ressaltar que a farmácia e a vacinação são abertas à toda a comunidade.
O foco principal do centro, tanto para estratégias, quanto para melhorias, é o idoso, visto que a grande maioria dos seus atendimentos são voltados para esse público. Pouquíssimas crianças e gestantes procuram o Modelo, são cerca de apenas 80 gestantes ao ano.
Para atendimento no local, é necessário que se apresente o cartão do SUS e que se faça parte da região atendida pelo centro de saúde (é realizada uma consulta via sistema através do endereço do paciente).
Para a minha profunda tristeza, o Centro de Saúde Modelo não dispõe de Fonoaudióloga(o). À quaisquer demandas de especialidades que surjam, bem como a fonoaudiológica, são feitos encaminhamentos à locais capacitados.
A visita foi incrível. Fomos super bem recebidas pela Carla, enfermeira de formação e coordenadora do setor administrativa do Modelo. Ela foi muito atenciosa e nos explicou detalhadamente toda a composição e funcionamento do Centro de Saúde Modelo. Após uma conversa bastante rica e esclarecedora, fizemos um tour pelo centro e conhecemos todas os setores, tanto da UBS, quanto da ESF.
Foi um privilégio ter esse outro olhar sobre uma UBS. Até a visita, eu tinha apenas a visão de paciente. Hoje, consigo entender melhor os desafios enfrentados pela equipe e toda a organização que é necessária para se proporcionar os atendimentos e procedimentos adequados e de qualidade.
Pelo o pouco que vi, deu para perceber que o Centro de Saúde Modelo é um ambiente saudável, em que há uma ótima organização e cuidado com todos os setores. É realizado um excelente trabalho no local. Sem dúvidas, o centro serve de exemplo e referência para muitas outras UBS's e centros da cidade. Fica, portanto, a alegria de ver que o SUS pode ser muito bom e proveitoso, e o desejo de que exemplos como esse se multipliquem por todo o Brasil, para que todos possam ter acesso a um atendimento e tratamento dignos e eficazes.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Simulação de Entrevista Fonoaudiológica
Outro dia marcante e inesquecível na disciplina de Tópicos. Dessa vez, foi o momento de colocarmos em prática o que imaginávamos ser uma entrevista com uma paciente em busca de tratamento fonoaudiológico.
Nos foram dadas algumas instruções básicas, mas o objetivo mesmo era improvisarmos e desenvolvermos a entrevista da maneira que achássemos coerente.
O problema da paciente seria surpresa, descobriríamos apenas quando ela começasse a falar, assim como ocorre em uma entrevista real.
A professora Lenisa pediu voluntários e rapidamente me interessei e me prontifiquei. Ao lado da minha dupla e grande amiga que a Fonoaudiologia me deu, Aline, encaramos o desafio.
A simulação seria realizada com uma atriz, que também é fonoaudióloga, e o mais legal, em uma sala especializada, com direito a vidro-espião e tudo!
Confesso que estava nervosa no início, mas quando a conversa com a atriz, que fez o papel de paciente, começou, me senti super à vontade e a entrevista fluiu muito bem.
Conseguimos ser empáticas e criar uma conexão com a paciente, que se abriu e contribuiu para que a entrevista tenha sido tão legal e produtiva.
Amei ter participado dessa experiência e achei incrível termos uma oportunidade tão maravilhosa e importante dessas, logo no início do curso!
Mais uma vez, fica o meu muito obrigada à Lenisa e à disciplina de Tópicos sobre Estudos Interdisciplinares I.
#Fonoésóamor #Gratidão
Palhafasia
Em uma das aulas da disciplina de Tópicos sobre Estudos Interdisciplinares I, tivemos a incrível visita de alguns afásicos que participam do projeto Palhafasia, desenvolvido na UFRGS pela professora Lenisa Brandão.
Que momento! Foi tão rico e emocionante poder conhecê-los e ouvi-los, se esforçando ao máximo para contemplar-nos com suas lindas histórias de vida, cheias de conquistas e superações após grandes desafios.
Mas o ápice da tarde, sem dúvida, foi a atividade que realizamos com eles. Participamos de uma espécie de brincadeira, em que formávamos uma roda, uma pessoa ficava no centro, girava e apontava para alguém que deveria fazer uma imitação escolhida pela pessoa do centro. No início, a maioria da turma estava um pouco tímida, envergonhada, mas depois de um tempo, a alegria e o sentimento de liberdade tomaram conta da sala.
O espírito infantil veio à tona, e o mais importante, o sentimento de igualdade prevaleceu. Naquela sala não haviam mais alunos, professores, afásicos, jovens, adultos ou idosos, e sim, pessoas interagindo e se divertindo intensamente.
Esse dia ficará para sempre em minha memória. Com certeza foi um dos momentos mais inspiradores que já vivenciei.
Naquela segunda-feira, descobri que estava no lugar certo e o mais importante, no caminho certo! Me deparei fazendo o que amo e tendo o privilégio de conhecer pessoas tão fantásticas!
Gratidão é a palavra que me define.
Empatia!
Empatia gera empatia
Empatia. Eu diria que o nome desse primeiro semestre foi EMPATIA. Sem dúvida, o mais importante dos aprendizados do início da minha trajetória na Fonoaudiologia.
Privilégio que a disciplina de Tópicos sobre Estudos Interdisciplinares I, ministrada brilhantemente pela professora Lenisa Brandão, me proporcionou.
Confesso que a palavra e todo o significado que ela carrega não me eram muito familiares, infelizmente, pois acredito que a empatia seja um dos sentimentos/ações mais lindos e importantes de se ter/praticar.
Ser empático é uma grande virtude. Qualquer pessoa deve e merece ser empático e receber o mesmo tratamento. Afinal, são simples gestos como esse, de se colocar no lugar do outro, que amenizam e melhoram o dia de qualquer um.
Na minha profissão (futura fonoaudióloga), bem como em todas as profissões da área da saúde, é imprescindível praticar a empatia. Tratar o outro com empatia pode ser mais eficaz do que qualquer outro tratamento, visto que muitos pacientes nos procuraram em busca de um conforto, de um carinho, de uma palavra amiga.
Todos sonham com um mundo melhor. Por que não começar com um simples gesto? A prática da empatia é, sem dúvida, precursora de sorrisos, alegrias e amor. Aí se dá o início de um bem-estar social e de uma imensa qualidade de vida. Bora exercitar a empatia???
domingo, 12 de junho de 2016
Clube Social Pertence - Promoção de Saúde
No dia 31 de maio de 2016, visitei juntamente com alguns colegas o Clube Social Pertence. O projeto é brilhante e com uma proposta diferenciada e inspiradora, visa a socialização de jovens e adultos deficientes. Em uma conversa informal, tive a oportunidade riquíssima de conhecer o Clube e as importantes atividades que ele promove.
O projeto iniciou-se com a realização de saídas com um pequeno grupo de jovens deficientes à shoppings, lancherias e outros eventos na companhia dos educadores e idealizadores do Clube, Sarita Zinger e Victor Daniel Freiberg, durante os finais de semana. Visto os efeitos positivos dessas saídas, e a procura dos jovens e seus familiares por mais atividades de socialização e integração, o Clube Social Pertence foi idealizado e fundado.
São oferecidas no Clube oficinas de segunda a quinta-feira, que visam uma maior independência dos participantes no desempenho das atividades cotidianas, incluindo aulas de culinária, teatro, artes, fotografia, música, capoeira, dança, esportes e artesanato.
Além das oficinas, são realizadas saídas diversas, que ocorrem em finais de semana alternados, e tem como principal objetivo propiciar um convívio sócio-cultural, bem como momentos de descontração e lazer aos jovens. Os passeios são os mais variados, desde idas ao zoológico, até festas em bares movimentados da cidade. Durante essas programações, os jovens e adultos são buscados e levados em casa e acompanhados sempre de cuidadores especializados. É também efetuado um contato prévio com o local a ser visitado, para que toda a infraestrutura esteja disponível e acessível aos membros do Clube. Além de proporcionar a socialização e diversão aos integrantes do projeto, é trabalhada toda a questão de adaptação dos indivíduos, bem como sua integração ao meio social.
É feito também um importante trabalho com os pais e familiares dos membros do Pertence. Mensalmente, um grupo de pais se reúne na presença de um psicólogo para trocar experiências, dividir suas angústias e conquistas.
No Pertence, há um trabalho multidisciplinar. Cada profissional da sua área ministra a sua oficina com o auxílio de cuidadores e uma nutricionista atua diretamente no Clube. Há ainda a possibilidade de atendimentos individualizados quando necessários de profissionais como fonoaudiólogos e psicólogos.
Pós-visita
Conhecer o Clube Social Pertence foi uma experiência única e emocionante. O projeto desempenha um papel fundamental na vida de inúmeros jovens e adultos com deficiência, promovendo a sua socialização e integração social.
Ser diferente é normal. No entanto, na maioria das vezes, as diferenças são mal vistas socialmente, e o portador de quaisquer deficiências acaba sendo excluído, além de sofrer preconceito. Aí entra a fundamentalidade do trabalho do Pertence, que ao incluir o jovem e adulto deficiente socialmente, quebra barreiras e paradigmas, gerando uma extrema qualidade de vida e bem-estar aos membros.
O Pertence é um projeto lindo, inspirador e essencial, que deve ser multiplicado. Mais do que um Clube, o Pertence é uma filosofia de vida, uma brilhante filosofia que preconiza a inclusão social e a equidade na sociedade. Diferentes todos somos, apenas cabe a nós aceitarmos uns aos outros, livremente de preconceitos e julgamentos.
Me sinto extremamente plena e feliz ao saber que existem instituições como o Clube Social Pertence, que preconizam o estabelecimento de uma sociedade mais igualitária e inclusiva para todos. Que trabalho incrível! Parabéns e muito obrigada, Pertence!
Resenha sobre o artigo: PORTADORES DE DEFICIÊNCIA: a questão da inclusão social
MACIEL, M. R. C. São Paulo Perspec. vol.14 no.2 São Paulo Apr./June 2000.
É
imenso o número de deficientes que sofrem preconceito/discriminação diariamente
no Brasil. Pessoas portadoras de deficiência sempre foram excluídas socialmente,
o que é deplorável.
Recentemente,
programas de inclusão e socialização do deficiente ao meio vêm sendo
desenvolvidos, principalmente no âmbito escolar. O que é um grande passo, pois
a escola é a base de todo o processo de socialização do indivíduo.
Um
importantíssimo evento de promoção à educação inclusiva foi a Conferência
Mundial de Educação Especial, que contou com a participação de 88 países e 25
organizações internacionais, em assembleia geral, na cidade de Salamanca, na
Espanha, em 1994.
Desse
evento, foram proclamados pontos imprescindíveis a serem desenvolvidos
mundialmente, como:
-
toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade
de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem;
-
toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de
aprendizagem que são únicas;
-
sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam
ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais
características e necessidades;
-
aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola
regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança,
capaz de satisfazer tais necessidades;
-
escolas regulares, que possuam tal orientação inclusiva, constituem os meios
mais eficazes de combater atitudes discriminatórias, criando-se comunidades
acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para
todos; além disso, tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das
crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia
de todo o sistema educacional.
Também
foi congregado que os governos:
-
atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus
sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as
crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais;
-
adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política,
matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes
razões para agir de outra forma;
-
desenvolvam projetos de demonstração e encorajem intercâmbios em países que
possuam experiências de escolarização inclusiva;
-
estabeleçam mecanismos participatórios e descentralizados para planejamento,
revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com
necessidades educacionais especiais;
-
encorajem e facilitem a participação de pais, comunidades e organizações de
pessoas portadoras de deficiências nos processos de planejamento e tomada de
decisão concernentes à provisão de serviços para necessidades educacionais
especiais;
-
invistam maiores esforços em estratégias de identificação e intervenção
precoces, bem como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva;
-
garantam que, no contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de
professores, tanto em serviço como durante a formação, incluam a provisão de
educação especial dentro das escolas inclusivas.
A desconstrução do preconceito
e da marginalização que há com os deficientes deve ser parte integrante dos
planos nacionais de educação, objetivando dessa forma, o acesso à educação de
modo universal.
A inclusão social traz
consigo a equidade de oportunidade, a interação mutual entre as pessoas sejam
elas portadoras de deficiência ou não, e o acesso em plenitude a todos os
recursos que a sociedade oferece.
Vale salientar que uma
sociedade inclusiva tem o compromisso com as minorias e não apenas com as
pessoas portadoras de deficiência.
A inclusão social é, além
de uma medida democrática, também de ordem econômica, uma vez que o portador
de deficiência e outras minorias tornam-se cidadãos produtivos, participantes,
conscientes de seus direitos e deveres, diminuindo, assim, os custos sociais.
Dessa forma, lutar a favor
da inclusão social deve ser responsabilidade de cada um e de todos
coletivamente. Pois mais do que um direito, a socialização de todos os indivíduos,
é uma necessidade.
Um exemplo disso pude ver na minha visita ao Clube Social Pertence, que realiza um trabalho sensacional na área de socialização e inclusão do deficiente. Projetos como esse devem ser perpetuados e multiplicados.
Kinder - Habilitação e Reabilitação
No dia 18 de maio de 2016, tivemos o privilégio de fazer mais uma visita especial, essa à Kinder: Centro de Integração da Criança Especial. A Kinder é uma entidade filantrópica fundada em 1988 pela Dra. Bárbara Fischinger, que educa, reabilita e habilita mais de trezentos bebês, crianças e adolescentes com deficiências múltiplas. Com uma equipe interdisciplinar, tanto na escola, quanto nos tratamentos de habilitação e reabilitação, a Kinder faz um belíssimo trabalho, e o mais importante, de forma totalmente gratuita.
A Escola
O espaço possui uma escola, a Escola de Educação Especial Bárbara Sybille Fischinger, que desenvolve um projeto extremamente diferenciado, com metodologia própria, baseada no ritmo e na singularidade de cada aluno.
As turmas são definidas pela identificação de níveis de compreensão e faixa etária. Além de educar os alunos da melhor forma possível, é realizado um acolhimento familiar, promovendo um desenvolvimento moral e social, baseado em um processo interdisciplinar, que é desempenhado com muito compromisso, amor e dedicação. Os serviços educacionais são oferecidos à faixa etária dos 3 aos 24 anos, distribuídos em Educação Infantil, Fundamental, nos anos iniciais, e EJA.
Com a escola, a Kinder visa um desenvolvimento humano de qualidade, permeado pela superação de limites de seus alunos. O protagonismo infanto-juvenil é imensamente valorizado, bem como a integração social dos indivíduos, colaborando assim, para a construção de uma sociedade mais humana e igualitária.
A Reabilitação
A Kinder proporciona atendimentos de reabilitação individualizados voltados para o bem-estar de seus pacientes, de acordo com as limitações e as necessidades de cada criança.
As terapias são desempenhadas por uma equipe interdisciplinar de profissionais especializados nas áreas de enfermagem, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, serviço social, psiquiatria, psicologia, neuropediatria e estimulação precoce.
A equipe interdisciplinar reúne-se semanalmente para discutir seus casos, compartilhando aprendizados e discutindo os progressos e possíveis regressos de cada atendimento. É notável e imprescindível a incrível troca de experiências e conhecimentos que há entre os profissionais.
A Habilitação
Na área da habilitação, a Kinder atua através de Oficinas Terapêuticas, que visam a estimulação da expressividade de seus alunos, além de servir como uma capacitação aos jovens para a pré-profissionalização.
São desenvolvidas atividades manuais artísticas relacionadas à organização do trabalho, que aprimoram a motricidade fina e a coordenação motora. Algumas das técnicas utilizadas são a tecelagem, a pintura em seda, a argila e o papel reciclado por eles mesmos.
Pós-visita
A visita à Kinder foi um privilégio. Não tenho dúvidas do quanto essa experiência me marcou, simplesmente pelo fato de conhecer o trabalho lindo e inspirador que a instituição desenvolve. Foi emocionante visualizar todo o bem-estar e a qualidade de vida que a entidade proporciona a tantas crianças e jovens.
Muitas famílias, ao depararam-se com a condição de uma criança especial no seu ciclo vital, sofrem com as incertezas e inseguranças de um futuro promissor e proveitoso para esse familiar, ou até mesmo com o não conhecimento do que podem oferecer e de como podem ajudar essa criança. Eis que surgem na vida dessas famílias instituições como a Kinder, que desempenham um papel fundamental, tanto na instrução e acolhimento familiar, quanto na promoção de uma vida digna e feliz à criança especial. E isso é, simplesmente, maravilhoso!
São em exemplos como o da Kinder que eu reafirmo a minha fé na humanidade. Pessoas que dedicam suas vidas para incluir e proporcionar uma vida melhor àqueles que muitas vezes são excluídos da sociedade e que, não tem, na maioria das vezes, condições nem oportunidades de buscar esses benefícios, são dignos da maior honra possível.
Mais uma vez, o sentimento que fica é de gratidão. Após a visita, levo comigo, cada vez maior, a
vontade de fazer o bem e por intermédio da minha profissão, poder levar às pessoas esperança, felicidade e qualidade de vida. A dedicação imensa dos profissionais e o amor pelo que fazem, unidas ao olhar gratificante das crianças e famílias atendidas, não tem preço! Obrigada, Kinder, por toda a inspiração!
Resenha sobre o artigo: REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL ATRAVÉS DAS OFICINAS TERAPÊUTICAS E/OU COOPERATIVAS SOCIAIS
VALLADARES, A. C. A.; LAPPANN-BOTTI, N. C.; MELLO, R.; KANTORSKI, L. P.; SCATENA, M. C. M. Revista Eletrônica de
Enfermagem, v. 5 n. 1 p. 04 – 09, 2003.
Atualmente, os processos de reabilitação psicossocial sofreram modificações e são considerados aqueles que facilitam ao usuário com limitações, a sua melhor reestruturação de autonomia de suas funções na comunidade. Ao contrário do que era dito no passado, no qual a reabilitação era considerada um processo de restituição a um estado anterior ou à normalidade do convívio social ou de atividades profissionais. Hoje, o objetivo é integrar e incluir o deficiente socialmente, proporcionando-lhe um maior bem-estar e uma melhor qualidade de vida. Esse foi um grande avanço para a humanidade, pois demonstra que estamos caminhando para uma sociedade mais igualitária e livre de preconceitos.
Oficinas Terapêuticas
As oficinas terapêuticas são atividades praticadas entre pessoas com deficiências mentais e/ou sofrimentos psíquicos, que promovem o exercício da cidadania, da expressão de liberdade e da convivência e interação social dos indivíduos através de técnicas, principalmente, artísticas. Oficinas terapêuticas como essas são desenvolvidas na Kinder, entidade filantrópica que reabilita e educa crianças especiais, a qual eu tive o prazer de visitar. Mais do que promover a reabilitação e habilitação desses indivíduos, as oficinas os preparam para as atividades cotidianas e para o mercado de trabalho, além de desenvolver a sua tão importante, autonomia.
Pode-se considerar alguns princípios que norteiam as oficinas terapêuticas, com base em seus objetivos, são eles:
- Todos os indivíduos podem e devem projetar seus conflitos internos sob forma plástica, corporal, literária, musical, teatral etc;
- Valorização do potencial criativo, expressivo e imaginativo do paciente;
- Fortalecimento da auto-estima e da autoconfiança;
- Visa a reinserção social os usuários;
- Inter e transdisciplinaridade: uma “miscigenação” de saberes e intervenções;
- Intersecção entre o mundo do conhecimento psíquico e o mundo da arte, pela expressão da subjetividade;
- Reconhecimento da diversidade.
Segundo RAUTER (2000, p. 271), "as oficinas, o trabalho e a arte possam funcionar como catalisadores da construção de territórios existenciais (inserir ou reinserir socialmente os ”usuários”, torná-los cidadãos...), ou de “mundos” nos quais os usuários possam reconquistar ou conquistar seu cotidiano... de cresse que está se falando não de adaptação à ordem estabelecida, mas de fazer com que trabalho e arte se reconectem com o primado da criação, ou com o desejo ou com o plano de produção da vida.”
A experiência do trabalho das oficinas torna-se positiva quando uma de suas funções é também o de intervir no campo da cidadania. Assim, atuando no âmbito social, contribui como possibilidade de transformação da realidade atual no que diz respeito a reabilitação de pessoas especiais.
Mais do que positiva, a experiência das oficinas terapêuticas é necessária e imprescindível. Habilitar e reabilitar pessoas com limitações, prepará-las para o convívio social é um trabalho magnífico, que deve ser imensamente explorado e difundido.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
CENEFFI - Avaliação e Diagnóstico
No dia 10 de maio de 2016, eu e um grupo de colegas fizemos uma visita incrível ao CENEFFI: Centro de Estudos e Fisioterapia para Funcionalidade e Integração. Fomos recebidos extremamente bem e em uma conversa informal com a equipe interdisciplinar pudemos conhecer um pouco do trabalho brilhante desempenhado por eles.
O Centro atua na avaliação e reabilitação de crianças com disfunções neurológicas, principalmente na parte motora.
Uma equipe interdisciplinar atua no local, sendo composta por cinco fisioterapeutas, duas fonoaudiólogas e duas terapeutas ocupacionais.
A avaliação é um processo imprescindível quando se trata de quaisquer disfunções ou enfermidades que acometem um paciente. É a primeira etapa a ser realizada e responsável por determinar toda a continuidade dos possíveis tratamentos e suas formas de execução. A partir da avaliação/diagnóstico são feitos os encaminhamentos aos profissionais e tratamentos necessários/adequados.
O CENEFFI executa uma avaliação bastante completa, analisando cinco habilidades do paciente, são elas: cognitiva, motora, comunicativa, social/emocional e adaptativa.
Esse processo é feito em 3 etapas: uma entrevista inicial com os pais, na qual se colhe todas as informações relevantes sobre a criança, bem como seu histórico; uma avaliação propriamente dita, realizada com a criança, na presença dos pais, em que se utiliza testes para identificar os problemas de desenvolvimento de acordo com sua faixa etária e principais demandas; e por fim, a devolução de um relatório aos pais, contendo os achados da equipe, suas recomendações de tratamento e os procedimentos necessários para a reabilitação da criança.
A maior procura ao centro se dá em casos de prematuridade, síndromes genéticas, malformações cerebrais congênitas, deficiência visual e auditiva.
Após a avaliação, o próprio centro oferece o tratamento de reabilitação, sendo realizado pelos profissionais dos quais o paciente necessitar. Os atendimentos são feitos individualmente, mas os casos de todos os pacientes são discutidos mensalmente pela equipe. Nessas reuniões mensais, há uma grande troca de informações e conhecimentos, nas quais um profissional ampara o outro da melhor forma possível, desempenhando assim, a tão importante, interdisciplinaridade.
O principal método de tratamento utilizado pelo Centro é o Conceito Bobath, que tem como objetivo principal estimular e aumentar a capacidade do indivíduo de realizar os movimentos motores funcionais o mais próximo da normalidade possível, oferecendo um extremo bem-estar e uma melhor qualidade de vida ao paciente.
Pós-visita
Foi o meu primeiro contato com um centro de avaliação e reabilitação. É difícil expressar em palavras o quão especial foi essa visita, principalmente tratando-se de um local tão completo, com uma estrutura incrível e profissionais extremamente qualificados, desempenhando um trabalho lindo e imprescindível. Mais do que avaliar e reabilitar crianças com disfunções neurológicas, o CENEFFI traz esperança, motivação, bem-estar e qualidade de vida, tanto aos pacientes, quanto às famílias.
Acredito que os desafios e dificuldades sejam constantes, mas ver o progresso e o sorriso estampado no rosto dessas crianças é, sem dúvida alguma, recompensador e imensamente gratificante. É notável o quanto a equipe ama o que faz e o quanto se envolvem de corpo e alma para reabilitar seus pacientes. Acho que esse é o motivo para o centro funcionar tão bem e ser demasiadamente inspirador. Parabenizei no dia, e por aqui, parabenizo mais uma vez esses heróis disfarçados de profissionais da saúde, que fazem de tudo para promover o desenvolvimento físico e emocional de seus pacientes.
Desde o início do semestre, quando iniciei o curso de fonoaudiologia, já não sou mais a mesma, a profissão vem me tocando de diversas formas, abrindo minha mente e mudando minha visão de mundo e minha forma de pensar. A ida ao CENEFFI foi mais um dos fatores que estão contribuindo para a formação de uma cidadã e profissional extremamente humanizada, empática e apaixonada pelo o que faz! Gratidão é a palavra que me representa. Obrigada, CENEFFI.
Resenha sobre o artigo: Avaliação neuropsicológica da criança
COSTA, D. I., AZAMBUJA, L. S., PORTUGUEZ, M. W., COSTA, J. C.
Jornal de Pediatria - Vol. 80, Nº2(supl), 2004.
A neuropsicologia infantil tem por objetivo identificar
precocemente alterações no desenvolvimento cognitivo
e comportamental. A avaliação neuropsicológica da criança tornou-se um dos componentes
essenciais das consultas periódicas de saúde infantil, sendo
necessária a utilização de instrumentos adequados a esse processo (testes neuropsicológicos e escalas para a avaliação
do desenvolvimento).
Os resultados dessas escalas e testes demonstram o desenvolvimento infantil e têm o
objetivo de determinar o nível evolutivo da
criança. A importância desses instrumentos é, principalmente, a possibilidade de prevenir e detectar precocemente os distúrbios do
desenvolvimento e aprendizado que possam vir a ocorrer, indicando de forma minuciosa
o ritmo e a qualidade do processo e possibilitando um
mapeamento qualitativo e quantitativo das áreas cerebrais
e suas funções, visando
intervenções terapêuticas precoces e eficazes.
O CENEFFI enquadra-se perfeitamente nesse quadro de avaliação neuropsicológica da criança, pois o centro é especializado na avaliação da criança com disfunções neurológicas e, para isso utiliza-se de diversos testes e escalas qualificadas para analisar o desenvolvimento cognitivo e motor do paciente. A avaliação é também fundamental para que se encaminhe o tratamento de reabilitação adequado e eficaz para cada caso.
A avaliação neuropsicológica é recomendada em qualquer
caso onde exista suspeita de uma dificuldade cognitiva
ou comportamental de origem neurológica. Ela pode
auxiliar no diagnóstico e tratamento de diversas enfermidades
neurológicas, problemas de desenvolvimento infantil,
comprometimentos psiquiátricos, alterações de
conduta, entre outros.
Ao fornecer dados para investigar a compreensão do
funcionamento intelectual da criança, a neuropsicologia atua com diversos profissionais, tais como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos, promovendo
uma intervenção terapêutica interdisciplinar e mais eficiente.
Testes Utilizados
Inteligência: os testes de inteligência para crianças medem primariamente
habilidades essenciais ao desempenho acadêmico. Alguns exemplos de testes utilizados são:
- Stanford-Binet: fornece uma idade mental e um quociente de inteligência
(QI).
- WPPSI: permite avaliar a inteligência de crianças entre 4 e 6,5 anos.
- WISC-III: para crianças de 6 anos a 16 anos. Fornece escores nas escalas verbal e de execução, bem como um QI de escala total.
- BPR-5: avalia a inteligência de uma forma
global.
Memória: para esta função, são utilizados instrumentos que avaliam
a capacidade de aprendizado de funções de memória. Alguns deles são:
- Teste de Aprendizado Auditivo Verbal
de Rey e o
Teste de Aprendizado Visual de Desenhos de Rey: repetida exposição ao
material a ser recordado.
- WRAML: memória visual,
aprendizado verbal, memória para histórias.
Linguagem: a avaliação inclui, ainda, órgãos fonoarticulatórios, hábitos orais e desenvolvimento
da linguagem.
- Boston Naming Test: utiliza figuras
de objetos para avaliar a capacidade de reconhecimento
e nomeação.
- Teste de Fluência verbal.
- Teste de Token: compreensão de textos, escrita
e leitura.
A partir dos testes realizados, é de extrema importância analisar a performance completa do paciente, seu histórico e o resultado de outros exames. A contribuição dos achados do exame neurológico, de neuroimagem, neurofisiológico e neuropsicológico é trabalho para uma equipe multidisciplinar. A interpretação dos resultados exige conhecimento de aspectos cognitivos e afetivos, assim como de fatores que possam interferir em uma tarefa.
Diante
do resultado quantitativo obtido através dos testes, é necessário que ocorra uma avaliação qualitativa detalhada e estudos
das funções intelectuais envolvidas em cada um dos itens de
cada prova, permitindo que se faça a relação entre função/disfunção e área cerebral. Só após essa análise criteriosa
será possível contribuir com recomendações e condutas ao
programa de reabilitação dessa criança e corroborar a
investigação clínica.
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