No dia 10 de maio de 2016, eu e um grupo de colegas fizemos uma visita incrível ao CENEFFI: Centro de Estudos e Fisioterapia para Funcionalidade e Integração. Fomos recebidos extremamente bem e em uma conversa informal com a equipe interdisciplinar pudemos conhecer um pouco do trabalho brilhante desempenhado por eles.
O Centro atua na avaliação e reabilitação de crianças com disfunções neurológicas, principalmente na parte motora.
Uma equipe interdisciplinar atua no local, sendo composta por cinco fisioterapeutas, duas fonoaudiólogas e duas terapeutas ocupacionais.
A avaliação é um processo imprescindível quando se trata de quaisquer disfunções ou enfermidades que acometem um paciente. É a primeira etapa a ser realizada e responsável por determinar toda a continuidade dos possíveis tratamentos e suas formas de execução. A partir da avaliação/diagnóstico são feitos os encaminhamentos aos profissionais e tratamentos necessários/adequados.
O CENEFFI executa uma avaliação bastante completa, analisando cinco habilidades do paciente, são elas: cognitiva, motora, comunicativa, social/emocional e adaptativa.
Esse processo é feito em 3 etapas: uma entrevista inicial com os pais, na qual se colhe todas as informações relevantes sobre a criança, bem como seu histórico; uma avaliação propriamente dita, realizada com a criança, na presença dos pais, em que se utiliza testes para identificar os problemas de desenvolvimento de acordo com sua faixa etária e principais demandas; e por fim, a devolução de um relatório aos pais, contendo os achados da equipe, suas recomendações de tratamento e os procedimentos necessários para a reabilitação da criança.
A maior procura ao centro se dá em casos de prematuridade, síndromes genéticas, malformações cerebrais congênitas, deficiência visual e auditiva.
Após a avaliação, o próprio centro oferece o tratamento de reabilitação, sendo realizado pelos profissionais dos quais o paciente necessitar. Os atendimentos são feitos individualmente, mas os casos de todos os pacientes são discutidos mensalmente pela equipe. Nessas reuniões mensais, há uma grande troca de informações e conhecimentos, nas quais um profissional ampara o outro da melhor forma possível, desempenhando assim, a tão importante, interdisciplinaridade.
O principal método de tratamento utilizado pelo Centro é o Conceito Bobath, que tem como objetivo principal estimular e aumentar a capacidade do indivíduo de realizar os movimentos motores funcionais o mais próximo da normalidade possível, oferecendo um extremo bem-estar e uma melhor qualidade de vida ao paciente.
Pós-visita
Foi o meu primeiro contato com um centro de avaliação e reabilitação. É difícil expressar em palavras o quão especial foi essa visita, principalmente tratando-se de um local tão completo, com uma estrutura incrível e profissionais extremamente qualificados, desempenhando um trabalho lindo e imprescindível. Mais do que avaliar e reabilitar crianças com disfunções neurológicas, o CENEFFI traz esperança, motivação, bem-estar e qualidade de vida, tanto aos pacientes, quanto às famílias.
Acredito que os desafios e dificuldades sejam constantes, mas ver o progresso e o sorriso estampado no rosto dessas crianças é, sem dúvida alguma, recompensador e imensamente gratificante. É notável o quanto a equipe ama o que faz e o quanto se envolvem de corpo e alma para reabilitar seus pacientes. Acho que esse é o motivo para o centro funcionar tão bem e ser demasiadamente inspirador. Parabenizei no dia, e por aqui, parabenizo mais uma vez esses heróis disfarçados de profissionais da saúde, que fazem de tudo para promover o desenvolvimento físico e emocional de seus pacientes.
Desde o início do semestre, quando iniciei o curso de fonoaudiologia, já não sou mais a mesma, a profissão vem me tocando de diversas formas, abrindo minha mente e mudando minha visão de mundo e minha forma de pensar. A ida ao CENEFFI foi mais um dos fatores que estão contribuindo para a formação de uma cidadã e profissional extremamente humanizada, empática e apaixonada pelo o que faz! Gratidão é a palavra que me representa. Obrigada, CENEFFI.
Resenha sobre o artigo: Avaliação neuropsicológica da criança
COSTA, D. I., AZAMBUJA, L. S., PORTUGUEZ, M. W., COSTA, J. C.
Jornal de Pediatria - Vol. 80, Nº2(supl), 2004.
A neuropsicologia infantil tem por objetivo identificar
precocemente alterações no desenvolvimento cognitivo
e comportamental. A avaliação neuropsicológica da criança tornou-se um dos componentes
essenciais das consultas periódicas de saúde infantil, sendo
necessária a utilização de instrumentos adequados a esse processo (testes neuropsicológicos e escalas para a avaliação
do desenvolvimento).
Os resultados dessas escalas e testes demonstram o desenvolvimento infantil e têm o
objetivo de determinar o nível evolutivo da
criança. A importância desses instrumentos é, principalmente, a possibilidade de prevenir e detectar precocemente os distúrbios do
desenvolvimento e aprendizado que possam vir a ocorrer, indicando de forma minuciosa
o ritmo e a qualidade do processo e possibilitando um
mapeamento qualitativo e quantitativo das áreas cerebrais
e suas funções, visando
intervenções terapêuticas precoces e eficazes.
O CENEFFI enquadra-se perfeitamente nesse quadro de avaliação neuropsicológica da criança, pois o centro é especializado na avaliação da criança com disfunções neurológicas e, para isso utiliza-se de diversos testes e escalas qualificadas para analisar o desenvolvimento cognitivo e motor do paciente. A avaliação é também fundamental para que se encaminhe o tratamento de reabilitação adequado e eficaz para cada caso.
A avaliação neuropsicológica é recomendada em qualquer
caso onde exista suspeita de uma dificuldade cognitiva
ou comportamental de origem neurológica. Ela pode
auxiliar no diagnóstico e tratamento de diversas enfermidades
neurológicas, problemas de desenvolvimento infantil,
comprometimentos psiquiátricos, alterações de
conduta, entre outros.
Ao fornecer dados para investigar a compreensão do
funcionamento intelectual da criança, a neuropsicologia atua com diversos profissionais, tais como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos, promovendo
uma intervenção terapêutica interdisciplinar e mais eficiente.
Testes Utilizados
Inteligência: os testes de inteligência para crianças medem primariamente
habilidades essenciais ao desempenho acadêmico. Alguns exemplos de testes utilizados são:
- Stanford-Binet: fornece uma idade mental e um quociente de inteligência
(QI).
- WPPSI: permite avaliar a inteligência de crianças entre 4 e 6,5 anos.
- WISC-III: para crianças de 6 anos a 16 anos. Fornece escores nas escalas verbal e de execução, bem como um QI de escala total.
- BPR-5: avalia a inteligência de uma forma
global.
Memória: para esta função, são utilizados instrumentos que avaliam
a capacidade de aprendizado de funções de memória. Alguns deles são:
- Teste de Aprendizado Auditivo Verbal
de Rey e o
Teste de Aprendizado Visual de Desenhos de Rey: repetida exposição ao
material a ser recordado.
- WRAML: memória visual,
aprendizado verbal, memória para histórias.
Linguagem: a avaliação inclui, ainda, órgãos fonoarticulatórios, hábitos orais e desenvolvimento
da linguagem.
- Boston Naming Test: utiliza figuras
de objetos para avaliar a capacidade de reconhecimento
e nomeação.
- Teste de Fluência verbal.
- Teste de Token: compreensão de textos, escrita
e leitura.
A partir dos testes realizados, é de extrema importância analisar a performance completa do paciente, seu histórico e o resultado de outros exames. A contribuição dos achados do exame neurológico, de neuroimagem, neurofisiológico e neuropsicológico é trabalho para uma equipe multidisciplinar. A interpretação dos resultados exige conhecimento de aspectos cognitivos e afetivos, assim como de fatores que possam interferir em uma tarefa.
Diante
do resultado quantitativo obtido através dos testes, é necessário que ocorra uma avaliação qualitativa detalhada e estudos
das funções intelectuais envolvidas em cada um dos itens de
cada prova, permitindo que se faça a relação entre função/disfunção e área cerebral. Só após essa análise criteriosa
será possível contribuir com recomendações e condutas ao
programa de reabilitação dessa criança e corroborar a
investigação clínica.




Nenhum comentário:
Postar um comentário