No dia 31 de maio de 2016, visitei juntamente com alguns colegas o Clube Social Pertence. O projeto é brilhante e com uma proposta diferenciada e inspiradora, visa a socialização de jovens e adultos deficientes. Em uma conversa informal, tive a oportunidade riquíssima de conhecer o Clube e as importantes atividades que ele promove.
O projeto iniciou-se com a realização de saídas com um pequeno grupo de jovens deficientes à shoppings, lancherias e outros eventos na companhia dos educadores e idealizadores do Clube, Sarita Zinger e Victor Daniel Freiberg, durante os finais de semana. Visto os efeitos positivos dessas saídas, e a procura dos jovens e seus familiares por mais atividades de socialização e integração, o Clube Social Pertence foi idealizado e fundado.
São oferecidas no Clube oficinas de segunda a quinta-feira, que visam uma maior independência dos participantes no desempenho das atividades cotidianas, incluindo aulas de culinária, teatro, artes, fotografia, música, capoeira, dança, esportes e artesanato.
Além das oficinas, são realizadas saídas diversas, que ocorrem em finais de semana alternados, e tem como principal objetivo propiciar um convívio sócio-cultural, bem como momentos de descontração e lazer aos jovens. Os passeios são os mais variados, desde idas ao zoológico, até festas em bares movimentados da cidade. Durante essas programações, os jovens e adultos são buscados e levados em casa e acompanhados sempre de cuidadores especializados. É também efetuado um contato prévio com o local a ser visitado, para que toda a infraestrutura esteja disponível e acessível aos membros do Clube. Além de proporcionar a socialização e diversão aos integrantes do projeto, é trabalhada toda a questão de adaptação dos indivíduos, bem como sua integração ao meio social.
É feito também um importante trabalho com os pais e familiares dos membros do Pertence. Mensalmente, um grupo de pais se reúne na presença de um psicólogo para trocar experiências, dividir suas angústias e conquistas.
No Pertence, há um trabalho multidisciplinar. Cada profissional da sua área ministra a sua oficina com o auxílio de cuidadores e uma nutricionista atua diretamente no Clube. Há ainda a possibilidade de atendimentos individualizados quando necessários de profissionais como fonoaudiólogos e psicólogos.
Pós-visita
Conhecer o Clube Social Pertence foi uma experiência única e emocionante. O projeto desempenha um papel fundamental na vida de inúmeros jovens e adultos com deficiência, promovendo a sua socialização e integração social.
Ser diferente é normal. No entanto, na maioria das vezes, as diferenças são mal vistas socialmente, e o portador de quaisquer deficiências acaba sendo excluído, além de sofrer preconceito. Aí entra a fundamentalidade do trabalho do Pertence, que ao incluir o jovem e adulto deficiente socialmente, quebra barreiras e paradigmas, gerando uma extrema qualidade de vida e bem-estar aos membros.
O Pertence é um projeto lindo, inspirador e essencial, que deve ser multiplicado. Mais do que um Clube, o Pertence é uma filosofia de vida, uma brilhante filosofia que preconiza a inclusão social e a equidade na sociedade. Diferentes todos somos, apenas cabe a nós aceitarmos uns aos outros, livremente de preconceitos e julgamentos.
Me sinto extremamente plena e feliz ao saber que existem instituições como o Clube Social Pertence, que preconizam o estabelecimento de uma sociedade mais igualitária e inclusiva para todos. Que trabalho incrível! Parabéns e muito obrigada, Pertence!
Resenha sobre o artigo: PORTADORES DE DEFICIÊNCIA: a questão da inclusão social
MACIEL, M. R. C. São Paulo Perspec. vol.14 no.2 São Paulo Apr./June 2000.
É
imenso o número de deficientes que sofrem preconceito/discriminação diariamente
no Brasil. Pessoas portadoras de deficiência sempre foram excluídas socialmente,
o que é deplorável.
Recentemente,
programas de inclusão e socialização do deficiente ao meio vêm sendo
desenvolvidos, principalmente no âmbito escolar. O que é um grande passo, pois
a escola é a base de todo o processo de socialização do indivíduo.
Um
importantíssimo evento de promoção à educação inclusiva foi a Conferência
Mundial de Educação Especial, que contou com a participação de 88 países e 25
organizações internacionais, em assembleia geral, na cidade de Salamanca, na
Espanha, em 1994.
Desse
evento, foram proclamados pontos imprescindíveis a serem desenvolvidos
mundialmente, como:
-
toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade
de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem;
-
toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de
aprendizagem que são únicas;
-
sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam
ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais
características e necessidades;
-
aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola
regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança,
capaz de satisfazer tais necessidades;
-
escolas regulares, que possuam tal orientação inclusiva, constituem os meios
mais eficazes de combater atitudes discriminatórias, criando-se comunidades
acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para
todos; além disso, tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das
crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia
de todo o sistema educacional.
Também
foi congregado que os governos:
-
atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus
sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as
crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais;
-
adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política,
matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes
razões para agir de outra forma;
-
desenvolvam projetos de demonstração e encorajem intercâmbios em países que
possuam experiências de escolarização inclusiva;
-
estabeleçam mecanismos participatórios e descentralizados para planejamento,
revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com
necessidades educacionais especiais;
-
encorajem e facilitem a participação de pais, comunidades e organizações de
pessoas portadoras de deficiências nos processos de planejamento e tomada de
decisão concernentes à provisão de serviços para necessidades educacionais
especiais;
-
invistam maiores esforços em estratégias de identificação e intervenção
precoces, bem como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva;
-
garantam que, no contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de
professores, tanto em serviço como durante a formação, incluam a provisão de
educação especial dentro das escolas inclusivas.
A desconstrução do preconceito
e da marginalização que há com os deficientes deve ser parte integrante dos
planos nacionais de educação, objetivando dessa forma, o acesso à educação de
modo universal.
A inclusão social traz
consigo a equidade de oportunidade, a interação mutual entre as pessoas sejam
elas portadoras de deficiência ou não, e o acesso em plenitude a todos os
recursos que a sociedade oferece.
Vale salientar que uma
sociedade inclusiva tem o compromisso com as minorias e não apenas com as
pessoas portadoras de deficiência.
A inclusão social é, além
de uma medida democrática, também de ordem econômica, uma vez que o portador
de deficiência e outras minorias tornam-se cidadãos produtivos, participantes,
conscientes de seus direitos e deveres, diminuindo, assim, os custos sociais.
Dessa forma, lutar a favor
da inclusão social deve ser responsabilidade de cada um e de todos
coletivamente. Pois mais do que um direito, a socialização de todos os indivíduos,
é uma necessidade.
Um exemplo disso pude ver na minha visita ao Clube Social Pertence, que realiza um trabalho sensacional na área de socialização e inclusão do deficiente. Projetos como esse devem ser perpetuados e multiplicados.








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